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CASTANHA DO PARÁ (BRASIL)

CASTANHA DO PARÁ (BRASIL)

Uma boa alimentação é o segredo para ter uma pele e corpo saudáveis. Muito se fala sobre as vitaminas C e E, o ômega 3 e tantos outros nutrientes que ajudam a manter o equilíbrio do organismo. O que poucos sabem é que a castanha-do-pará, uma semente tipicamente brasileira (tanto que é também conhecida como castanha-do-brasil), ajuda não só a prevenir transtornos musculares, neurológicos e até cânceres, mas também atua na elasticidade da pele, mantendo-a com aparência jovem por mais tempo.

“A castanha fornece magnésio, que intervém na atividade cardíaca e muscular e no funcionamento das células nervosas, bem como na formação dos ossos”, explica a nutricionista Carolina Paiva de Freitas, do Santorini Spa. “Também contém ômega 3, que melhora a concentração, a memória, habilidades motoras, velocidade de reação, neutraliza o stress e previne doenças degenerativas cerebrais. Além disso, ele reduz os riscos de doenças do coração”, completa.

Outra substância encontrada na castanha-do-pará é o selênio, cujas propriedades nutritivas foram descobertas no final da década de 70 e hoje são associadas, entre outros benefícios, ao retardamento do envelhecimento da pele.

A boa notícia é que os brasileiros têm na castanha-do-pará uma fonte rica e barata de selênio. Aliás, com apenas uma castanha ao dia um indivíduo adulto consegue suprir a necessidade diária desse nutriente no organismo, de acordo com Carolina. E isso pode ser feito consumindo-se a castanha na forma pura ou até mesmo em doces, torrada, em farinha ou em sorvetes. “Claro que in natura é sempre melhor, mas não há problema nas outras formas de consumo”, esclarece o professor e dermatologista Absalom Filgueira, da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Selênio
Uma das substâncias características da castanha-do-pará é o selênio, um semi metal essencial à nutrição do organismo. Filgueira explica que o micronutriente melhora a resposta imunológica do organismo, previne doenças cardiovasculares e é essencial para a formação do T3 (hormônio ativo no funcionamento da tireóide). Além disso, como parte de sua função imunológica, também ajuda na prevenção do câncer.

Filgueira também destaca a atuação do selênio como antioxidante, combatendo os radicais livres, também responsáveis pelo envelhecimento da pele. A nutricionista Carolina Freitas acrescenta que ele melhora a elasticidade dos tecidos apenas em conjunto com a vitamina E. “O selênio é um mineral que impede a degeneração celular, pois envolve a membrana da célula e protege o sistema imunológico”, afirma.

Outros alimentos como fígado, peixe, crustáceos, ovo, brócolis, outras nozes brasileiras e couve também contêm selênio, porém em quantidades bem menores do que a castanha-do-pará.

A quantidade que cada indivíduo adulto deve consumir de selênio por dia é de 55 a 70 microgramas e, para as crianças, a quantidade cai de 20 a 30 microgramas ao dia, segundo Carolina. “Uma castanha-do-pará tem em média 50 microgramas de selênio. A quantidade ideal seria então uma castanha por dia para adultos e meia para crianças.”

Já o professor Filguera observa que um adulto deve ingerir níveis inferiores a 11 microgramas de selênio por dia para considerar-se em um estado deficiente. “Em dois meses os sintomas da falta de selênio já são visíveis”, alerta. Há o aparecimento de manchas claras na pele e unhas, fraqueza muscular, mialgia (dor muscular), irritabilidade e alterações das condições nervosas.

Mas não somente a não-ingestão do nutriente é responsável por sua falta no organismo. “O fumo compromete e inibe a ação do selênio”, avisa o professor.

Excesso
Ao mesmo tempo em que pouco selênio faz mal à saúde, seu excesso é nocivo ao organismo. A ingestão de cerca de 800 microgramas do nutriente ao dia pode causar intoxicação. Segundo Filgueira, o excesso de selênio causa transtornos musculares, neurológicos e queda das unhas, além de esfacelamento do cabelo.

A concentração de selênio no organismo pode ser medida com um simples exame de sangue de rotina.

Estudo
Em um estudo da Universidade de Otago, na Nova Zelândia, divulgado em 2008 no American Clinical Journal of Nutrition, um grupo de pesquisadores liderados pela professora Christine Thomson realizou alguns testes e descobriu que, após 12 semanas, o grupo de voluntários que consumiu duas castanhas ao dia teve seu nível de selênio no sangue aumentado em 64,2%. “Os resultados indicam que o consumo desse alimento na dieta diária garante um bom nível de selênio sem precisar de suplementos”, concluiu Thomson.

De acordo com estudo, essas castanhas são uma fonte simples, efetiva e barata para aumentar o nível desse micronutriente no organismo, uma preocupação do país já que o solo de lá tem baixa concentração dessa substância. A falta de selênio, ainda segundo o artigo neo-zelandês, pode estar associada a um maior risco de câncer, doenças cardiovasculares, alteração das funções imunológicas, infertitidade masculina, inflamações e infecções virais.

O professor Filgueira explica que, mesmo no Brasil, nem todos os alimentos são ricos em relação a esse nutriente. “Mato Grosso e São Paulo são deficientes em selênio, por exemplo. Alguns estudos apontam que os habitantes de Manaus e Belém têm uma ingestão de selênio quase cinco vezes maior em relação à dieta de São Paulo”, salienta

 



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